terça-feira, 23 de junho de 2015

Nova Zelândia : até no paraíso existem divisões...


(Rhayana Gonçalves)

Um dos países mais procurados pelos brasileiros para fazer intercâmbio, fazer turismo e até morar é a Nova Zelândia. Apesar de ser uma viagem de mais de 20 horas de avião e com um fuso de 15 horas de diferença, o país ainda continua chamando a atenção pelos seus muitos encantos.

Para começar os nativos são chamados de "kiwis", nome de um pássaro local que acabou batizando a fruta local que acabou mundialmente conhecida. O clima é muito agradável, entre tropical e temperado, e a geografia do país é conhecida pelo seu relevo extremo, muito apropriado para diversos esportes radicais, produzindo uma paisagem muitas vezes deslumbrante. Além disso, a população é conhecida por ser extremamente hospitaleira e o custo de vida é barato. Além dessas características marcantes, a qualidade de vida é excelente.

Porém até no paraíso existem divisões. A Nova Zelândia é composta por duas grandes ilhas, a Ilha do Norte e a Ilha do Sul. E, o que a geografia separou, acabou por influenciar a cultura e a política locais, numa história de séculos atrás. Em 16 de Novembro de 1840, as ilhas da Nova Zelândia foram separadas politicamente da colônia australiana de Nova Gales do Sul, constituindo-se numa nova colônia britânica. A própria Rainha Vitória designou o capitão irlandês William Hobson como seu novo governador.





Wellington, a capital, uma das lindas paisagens da Nova Zelândia

A ilha do Sul contava com uma pequena população Maori, o que facilitou a ocupação e colonização britânica, fazendo com que a economia local se desenvolvesse rapidamente, sendo a destinação preferida de investimentos e colonos. Enquanto isso, a resistência dos Maoris nativos na Ilha do Norte, atrasava o desenvolvimento da colônia britânica. Em 1861, o ouro foi descoberto em Gully, na região do Otago Central, o que provocou uma corrida do ouro. Dunedin logo se tornou a cidade mais rica do país, e muitos, na Ilha do Sul, começaram a ressentir-se da redistribuição de recursos para as regiões menos desenvolvidas na Ilha do Norte, especialmente para os pesados investimentos em segurança e exércitos, o que era percebido como um desperdício das riquezas sulinas.

Enquanto isso, no Norte, tanto as populações nativas como os colonos sentiam-se esquecidos e marginalizados pelas pelas cidades sulistas, o que se traduzia em disputas orçamentárias e administrativas. Somado às diferenças culturais e aos regionalismos, esse sentimento acabou por fermentar identidades diferentes entre as duas ilhas.

Em 1865, sob a liderança de Vogel, as lideranças provinciais de Auckland, no norte, e Otago (Dunedin), no sul, coordenaram seus interesses para demandar na Assembléia Geral, conjuntamente, a separação formal das duas ilhas e a constituição de duas colônias separadas. Esse movimento foi derrotado por 31 votos a 17, prevalecendo as ideias centralistas. Entretanto, desse movimento resultou, como medida conciliatória, a mudança da capital para Wellington, no extremo sul da Ilha Norte, localizada numa posição bem mais central.   

Os ecos desses movimentos regionalistas ainda podem ser ouvidos nos dias de hoje. Ainda no século 21, a Nova Zelândia tem dois partidos políticos regionalistas. Na Ilha do Sul, o Partido da Zelândia do Sul tem lançado candidaturas desde 1999. Seu sucessor, o Partido da South Island (2008), tem optado por não registrar candidatos para as eleições parlamentares, focando sua ações em campanhas não eleitorais, mas de conscientização.



A Nova Zelândia: um  país separado por duas ilhas.

E até hoje ainda a as reivindicações da parte da ilha do Sul para a sua independência, ou pelo menos, por maior autonomia. Com o pensamento de que, desde a união das duas ilhas numa unidade nacional, a parte Sul tem se desenvolvido de forma diferente, ou seja, com sua própria cultura, pensamento e até mesmo sua economia, tornando-a com interesses diferentes da ilha vizinha, a autonomia política seria uma resposta natural a esta diversidade.

A globalização e as epidemias mundiais


(Rodrigo Stankevicz)


O advento da globalização trouxe uma série de benefícios para o Mundo, porém, trouxe também malefícios complexos. A relação mais intensa entre países, a crescente interdependência crescente em vários domínios da vida social, têm afetado também a saúde pública mundial. Em tempos de conexões mais intensas, surtos epidêmicos locais acabam causando alertas para todas as nações. Neste contexto de globalização, uma simples doença viral, identificada em regiões remotas do planeta, pode acabar chamando a atenção e exigindo esforços da comunidade internacional para que seja controlada e não torne-se uma epidemia global. Os esforços são muitos, porém parecem ainda insuficientes para conter as demandas crescentes dos últimos anos. A capacidade de gestão de epidemias e de coordenação de ações parecem agora mais ineficientes ainda, diante dos novos desafios.


O último caso amplamente noticiado foi a epidemia de Ebola, iniciada em Serra Leoa, na África Ocidental. Uma epidemia local acabou tomando proporções globais por falta de uma mobilização imediata, de controle e contenção, e de coordenação de ações no plano internacional. Os vírus parecem ser uma boa ilustração dos problemas da globalização, pois como a informação, flutuam rapidamente por cima das fronteiras nacionais, enquanto as instituições existentes para o seu combate e controle, permanecem restritas ao âmbito nacional de ação. Um descompasso entre problemas de alcance global e instituições de alcance nacional. A coordenação, para estes casos, parece ser cada vez mais importante. 

No caso do Ebola, iniciado em dezembro de 2013, data do primeiro óbito registrado, foi classificada como um surto somente em março de 2014 e como epidemia em agosto do mesmo ano. Segundo o coordenador de emergências do "Médicos Sem Fronteiras-MSF", Henry Gray, em entrevista à BBC, houve demora na divulgação do surto e da epidemia pelas autoridades internacionais, mesmo após vários alertas emitidos pelos MSF. À época, Gray lamentou, "foi frustrante, claro, não ter sido ouvidos, e isso provavelmente levou à escala da epidemia que vemos hoje". 

Vários fatores contribuem para que as autoridades locais atrasem a comunicação da doença, como um otimismo na sua própria capacidade de controlar o problema, ou ainda até um temor de não perturbar o turismo ou a economia do país. Mas também no plano internacional, a coordenação de ações acaba sendo lenta também. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS), admitiu a lentidão de todo o processo, quando sua diretora-geral, Margaret Chan, declarou em janeiro de 2015: "O Mundo inteiro, incluindo a OMS, foi muito lento para ver o que estava acontecendo diante de nós."


homem infectado com ebola é levado para quarentena em Serra Leoa. Peter Muller.


Nem só através de procedimentos médicos as epidemias são administradas, mas também com toda o poder da tecnologia e da capacidade de comunicação entre os organismos internacionais, promovendo uma rápida mobilização mundial. Na era da globalização, os surtos e epidemias não podem ser mais tratados isoladamente, como um problema local, ou protegidos pelos desejos de soberania nacional, como se fossem um problema único e exclusivamente do país afetado. Cada vez mais, as epidemias são, de fato, uma preocupação de todas as nações. Quando os países envolvidos no combate à epidemia, juntamente com a Organização Mundial da Saúde e outros órgãos, cometem falhas na comunicação e na coordenação, que atualmente tem uma precisão e instantaneidade singular, podem comprometer ainda mais vidas e acabar criando um caos dentro e fora do país atingido. As informações de um órgão ao outro devem ser claras para que a mensagem chegue à população e a quem ela é direcionada de forma precisa e esclarecedora. O desenvolvimento de capacidade política e institucional de coordenar ações entre governos e instituições no plano internacional se tornou numa variável importante de segurança, no caso das epidemias. 



Enfermeiros checam os equipamentos de proteção antes de 
entrarem na zona de alto risco de infecção em Serra Leoa. 
Anna Surinyach / MSF


Em entrevista à France-Press, Bill Gates demostrou preocupação com as epidemias mundiais , chegou a falar que a comunidade internacional precisa estar preparada para uma possível pandemia mundial. Também chamou a atenção do mundo para que utilizem-se as novas tecnologias no desenvolvimento de um plano para as possíveis crises. Gates ainda explicou a importância da comunicação e tecnologia, e seus impactos sobre a capacidade de coordenação internacional, no caso, para a prevenção de epidemias: “Nós usamos fotos de satélite para descobrir onde as pessoas vivem, o GPS dos celulares para ver se as equipes de vacinação estão indo a todos os lugares que precisam ir e fazemos uma análise estatística para ver se alguma criança não foi atendida. As novas tecnologias inovadoras vão nos permitir ver o que está acontecendo a um custo muito mais baixo".

Com a globalização, o mundo interligado como está, tornou-se um pequeno vilarejo, em que não há mais fronteiras que impeçam e ida e vinda de pessoas de várias partes do mundo, é claro, com raras exceções. Se chegamos a esta compreensão, necessário é tomar consciência de que qualquer decisão a milhares de distância de onde estamos pode interferir diretamente em nossas vidas, inclusive um pequeno surto em um lugar remoto.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O terror do Talibã



(Isabela Varanda)

O Afeganistão é um país asiático considerado a “ponte” entre o Oriente e o Ocidente. Por conta de seu território estar em posição estratégica o local já foi conquistado pelo Império Persa, Macedônio, Hindu, Mongol, Turco Otomano, Inglês, Russo e também pelos Estados Unidos, além do movimento nacionalista chamado Talibã.

O Talibã chegou ao poder no Afeganistão em 1996, financiado pelo Paquistão, e após intensas guerras internas no país. O Talibã é um movimento fundamentalista islâmico nacionalista liderado por Mohammed Omar e seus principais membros, assim como o líder, eram estudantes antes de entrarem para a guerrilha. “Estudantes” é o significado da palavra Talibã. A organização conta com campos de refugiados no Paquistão onde estes aprendem táticas de guerrilha e sobre o islamismo.

Segundo o dicionário terrorismo é a “utilização organizada e metódica da violência com propósitos políticos, normalmente por meio de atentados, buscando desorganizar a sociedade vigente”. Apenas com essa definição diversos nomes surgem à tona, sendo um dos mais citados o temido Talibã.

O Talibã é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, Rússia e União Soviética. A maioria de seus atentados é realizada com homens-bomba chegando a impressionante média de 100 atentados desse tipo por ano, segundo o The New York Times. Estima-se que mais de 3 mil pessoas tenham morrido nas mãos desse grupo.

Hoje, o grupo está presente no Afeganistão e no Paquistão e realiza diversos ataques nesses países. Um dos piores atentados aconteceu no Paquistão em dezembro de 2014. Um grupo de seis militantes do Talibã matou pelo menos 135 pessoas a tiros, a maioria tinha entre 12 e 16 anos e estudavam em uma escola administrada pelo Exército na cidade de Peshawar, local onde aconteceu o atentado. Os seis militantes foram mortos, não sem antes terem espalhado diversos explosivos pela escola.

No Afeganistão foram realizados também ataques com mísseis, sendo o mais conhecido o acontecido em 20 de agosto de 2009 durante as eleições com a intenção de impedir que elas fossem realizadas.

O último ataque realizado por eles foi em abril contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, no Afeganistão. Cinco pessoas morreram e doze ficaram feridas quando um homem-bomba usando um veículo policial carregado de explosivos investiu contra um comboio das tropas internacionais em Jalalabad, capital da província de Nangarhar.



Celtic vs Rangers: Rivalidade muito além do campo

(Eduardo Pacheco)

Dizem que discutir futebol, política e religião pode levar a intermináveis debates sem conclusão. Misturar os três assuntos numa mesma discussão, então, pode fazer tudo tomar proporções gigantescas. A cidade de Glasgow, maior da Escócia e terceira maior do Reino Unido, é a prova de que isso nunca daria certo. As duas equipes de futebol da cidade, Celtic e Rangers, são muito mais que rivais dentro de campo. Seus torcedores têm religiões diferentes e um pensamento político divergente em relação à participação da Escócia como integrante do Reino Unido.

A origem dessa rivalidade começa no século XVI, com a Reforma Protestante convertendo milhares de pessoas por toda a Europa. E foi na Escócia que o protestantismo conseguiu seu maior número de seguidores. A grande ascensão protestante no país fez surgir um ódio aos católicos, praticantes da até então religião dominante.

Foi então que, no final do século XIX, um padre católico chamado Walfrid decidiu criar uma maneira de manter os jovens católicos longe da influência protestante, ocupando seu tempo livre com um clube de futebol católico. Nascia o Celtic FC. Em seu começo, o Celtic faturou quatro de seis títulos nacionais. A sociedade escocesa protestante ficou em polvorosa, jamais aceitaria um clube católico com tantos títulos prestígios. Foi então que o Rangers entrou em cena.

Criado sem qualquer ideal religioso ou político, foi só conquistar algumas vitórias seguidas contra Celtic, que a equipe foi imposta pela sociedade escocesa a ser a equipe "verdadeiramente escocesa" que destronaria o time católico. O Celtic aceitou a rivalidade. Começou a utilizar as cores verde e branca, símbolos do catolicismo. O Rangers não demorou a responder. Às vésperas da primeira guerra, adotou uma política que só aceitava protestantes em qualquer setor do clube, dentro e fora de campo.

Os torcedores do Celtic se apegaram mais a causa do clube. Começaram a cantar músicas do IRA, o exército republicano irlandês, totalmente anti-britânico e passaram a apoiar a independência da Escócia em relação ao Reino Unido. Os torcedores Rangers respondiam com músicas anti-católicas e passaram a vestir a cor laranja nos estádios, relembrando o feito de Guilherme de Orange que, em 1688, destronou a monarquia católica. O time adotou as cores do Reino Unido: azul, branco e vermelho e sua torcida levava aos estádios bandeiras com a imagem da Rainha da Inglaterra, chefe maior da Igreja Protestante, ao passo que bandeiras com a imagem do Papa João Paulo II também passaram a ser vistas pelos estádios.

A velha firma tornou-se a mais rival das rivalidades, Glasgow ficou dividida e uma grande incidência de mortes de torcedores ocorria em dias de clássico. Nos dias de hoje, os times já aceitam jogadores de religiões opostas, mas seus torcedores segue cegados pela paixão e pelo sectarismo. A ideia de misturar futebol, política e religião não tinha como dar certo. E continuará sendo um problema enquanto a torcida do Rangers hostiliza o Papa ao passo que a do Celtic xinga o exército britânico.

A Catalunha e sua luta pela independência

(Maria Maria Queiroz)

A questão da independência da Catalunha é uma questão polêmica que divide o povo da Espanha. Devido a um forte nacionalismo catalão, a sua população clama pela independência.

Os argumentos são baseados no princípio de que a Catalunha é, de fato, uma nação, pois detém de uma história, cultura e língua própria, sem contar o que diz respeito ao direito civil. Sobretudo, há também a questão econômica: a economia da Catalunha mais contribui para a economia espanhola, como um todo, do que recebe em troca pelos fundos governamentais.Dessa forma, acreditam que não alcançarão sua identidade / plenitude cultural, econômica e social, enquanto continuar fazendo parte da Espanha.

Para evidenciar tal situação, ocorreu no final do ano passado, em novembro de 2014, uma votação sobre essa questão. Nesta, apresentava-se duas perguntas. A primeira, se os eleitores desejavam que a Catalunha viesse a ser um Estado-Nação e a outra, se os mesmos desejavam que este Estado fosse independente. Foram consultadas mais de dois milhões de pessoas e, no total, 80% dos eleitores haviam respondido sim para as perguntas.

Didac Canudas, morador da comunidade espanhola, é um exemplo que ilustra tal resultado. Ele é apenas mais um catalão que almeja a independência e não se apresenta como “espanhol”: “nós queremos independência. Quando as pessoas me perguntam de onde sou, digo da Catalunha, não da Espanha, pois nos vemos como catalães, não espanhóis”.

O governo da Espanha, no entanto, não vê a independência com os mesmos olhos. Aliás, para eles, a emancipação da comunidade não seria interessante, uma vez que esta possua uma forte e estabilizada economia, sendo uma região rica e com 7,5 milhões de habitantes. Logo, em relação à votação, os argumentos eram contra. O governo acreditava que a votação não teria legitimidade e, portanto, de nada serviria, uma vez que esta fosse organizada por grupos pró-independência. Dessa forma, não teria uma “validade” democrática.

No entanto, apesar de ser uma votação inconstitucional, ou seja, informal, o povo da Catalunha acredita que esse tenha sido um grande passo, pois, a partir dela, conseguiram o direito de um plebiscito. Para eles, a votação serviu, sobretudo, para mostrar ao mundo que a Catalunha quer governar a si própria.

Os catalães clamam por independência e desejam obtê-la o quanto antes para atingir, de uma vez por todas, sua plenitude cultural, social e econômica. O processo pode demorar, mas a Catalunha reconhece o progresso e o grande passo à caminho da tão almejada emancipação.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Existe terrorismo budista ?


(Maria Maria Queiroz)

Quando se fala em Budismo, remete-se à uma religião e corrente filosófica profundamente pacífica, que cultua a paz e busca promover uma relação harmoniosa com o mundo, a qual proporciona leveza no corpo e na alma de quem segue seus preceitos. Nesse sentido, poderia causar surpresa para muitos que, no meio das instabilidades da política internacional, se organizam grupos militares budistas, sejam guerrilhas ou células terroristas.

A história do Budismo em países como Japão, China, Mianmar, Tailândia e Sri Lanka, entre outros, está marcada, paradoxalmente por muita violência. Os motivos que criam tal dicotomia entre princípios de paz e e militância de luta são diversos. Começam pela necessidade de sobrevivência e resistência de populações locais, em situação de ocupação militar por forças externas. A cultura de artes marciais incorporada aos princípios filosóficos gerais acaba construindo um canal entre pacifismo e luta. Algumas situações de fundamentalismo religioso, polarização política, defesa de direitos, e nacionalismo étnico podem terminar por viabilizar este inesperado casamento.


Um dos exemplos que ilustra a presença de um DNA violento nas sociedades budistas é a organização japonesa Aum Shinri-kyo que, em portugês, significa “ensinamentos da vida suprema”. A base de sua doutrina está nas escrituras budistas incluídas no cânone Pali e revela a sobrevivência de um certo tradicionalismo conservador. O grupo foi responsável por um ataque terrorista no metro de Tóquio, em 20 de março de 1995, no qual gás venenoso (sarin) foi lançado no meio da multidão. O ataque teve como consequência 12 mortes, 50 pessoas em estado crítico e 984 com problemas de visão. Ao todo, estima-se cerca de 5 mil pessoas foram afetadas pelo gás.

Assim como na China, onde tem-se o Kung Fu como tradição em forma de defesa, as artes marciais marcam o envolvimento da violência também na Tailândia, desde a antiguidade, como o Muay Thai. Os praticantes dessas lutas são apresentados como heróis guerreiros, tanto na China, quanto na Tailândia. No caso da tailandes, monges como Phra Kittiwuttho argumentam que matar opositores comunistas não viola qualquer preceito budista.

Outro exemplo é o conflito entre budistas e muçulmanos em Mianmar (conhecida antigamente como Birmânia). Desde o fim da ditadura militar no país, em 2011, a violência tem se instaurado entre os diversos grupos políticos e étnicos do país, sendo este o principal desafio do atual governo birmanês.

Tal conflito intensificou-se em 2012 e teve como estopim o estupro seguido de assassinato de uma mulher budista por 3 muçulmanos. Neste, houve a morte de 32 pessoas e cerca de 8 mil fugiram do local. As posições anti-islâmicas dos monges budistas foram evidenciadas, sobretudo, pelo ateamento de fogo em mesquitas, escolas e estabelecimentos muçulmanos.

No Sri Lanka, o terrorismo de inspiração budista guia-se pelo viés xenofóbico. As divergências entre os dois povos começaram após o exército do país ter derrotado o grupo separatista dos Tigres Tamuls, organização armada separatista que lutava por independência na chamada guerra civil do Sri Lanka, que durou 26 anos. Dessa forma, com o fim do conflito, o “clima de triunfo” estimulou ataques conta a nova minoria: os muçulmanos.

Grupos budistas do país, como Bodu Bela Sena, atacaram violentamente muçulmanos, que compõem 10% da população. Ultranacionalistas, promovem o Slogan “Sri Lanka para os budistas”. Assim como em Mianmar, neste conflito, templos, lojas casas foram incendiadas, acarretando 3 mortes e 78 feridos.

A oposição de ideais budistas e a mescla entre paz e guerra é um assunto curioso e não muito popular. Com a tentativa de acabar com esse esteriótipo, Michael Jerryson, Mark Juergensmeyer, Vladimir Tikhonov e Torkel Brekke publicaram dois livros acerca da violência budista: a primeira dupla, com o título “Buddhist Warfare” (Guerra Budista) e a segunda, com “Buddhism and Violence: Militarism and Buddhism in Modern Asia” (Budismo e Violência: Militarismo e Budismo na Ásia Moderna.

Terrorismo e Comunismo - um olhar sobre os grupos Brigadas Vermelhas e Naxalitas

(Roberta Nolasco)

Brigadas Vermelhas (BR), ou Brigate Rosse, como é o seu nome original em italiano, é um grupo terrorista 
formado em 1969, na Itália, inspirado por ideais comunistas. Esta organização política extremista originou-se no movimento estudantil italiano da década de 1960 e desenvolveu suas atividades durante os anos 1970 e 80, priorizando ações violentas contra instituições da sociedade capitalista.

As BR tinham como inimigo imediato a Democracia Cristã (DC), partido que estava no poder na Itália durante os anos 1970. O líder da DC, Aldo Moro, foi sequestrado e morto pelas BR em 1978, em Roma, quando se encontrava no caminho entre sua casa e a Câmara dos Deputados. O grupo terrorista tinha como objetivo criar o Partido Comunista Combatente e atacar as instituições do capitalismo e do imperialismo, visando debilitar o Estado, e promover 
uma revolução social, com a a implementação de um novo sistema, de inspiração comunista. Dessa maneira, com um novo governo, a Itália deixaria o bloco ocidental, e a OTAN, passando a se alinhar ao bloco socialista.

No início de suas atividades, o grupo realizava ações de pequena escala, como incêndios de veículos ou de fábricas, passando a sequestros de pessoas influentes da política italiana, promovendo a exposição midiática destes dirigentes. Nos anos 1980, as BR entraram em um período de declínio. Cerca de 500 integrantes estavam presos, e a polícia obteve colaboração de vários deles em troca de redução da pena. Apesar dos esforços da organização para se reerguer, a polícia italiana conseguiu deter as ações do grupo e reduzi-lo a uma situação de quase desaparecimento.

As ações terroristas de inspiração política-ideológica também conheceram uma outra expressão a milhares de quilômetros dali, na Índia. 
O grupo de militantes comunistas conhecido como Movimento Naxalista tem esse nome porque foi fundado na vila Naxalbari, no estado indiano de Bengala Ocidental. O movimento é inspirados pela ideologia maoísta, e foram declarados como uma organização terrorista no âmbito das leis contra a prevenção das atividades ilegais da Índia, em 1967. Suas atividades são concentradas em uma região conhecida como “Corredor Vermelho”, onde eles detém um grande controle territorial. 

Um dos objetivos do grupo, é conseguir o apoio das camadas mais pobres do país, especialmente as castas de "intocáveis, como dalits e adivasis, para provocar um clima de instabilidade política e viabilizar a tomada do poder na região, como meio de garantir a realização dos direitos sociais, como direito à terra, emprego e renda, e dignidade social. 
Os líderes do movimento declararam que visam a criação de um Estado Comunista independente na Índia. Os alvos de seus ataques têm se concentrado nas chamadas áreas tribais da região, atacando a polícia e funcionários do governo.

O conflito entre este grupo maoísta e o governo indiano causou a morte de cerca de 749 pessoas em 2006, segundo o Centro Asiático para os Direitos Humanos (ACHR). 

Al-Qaeda - uma história do terrorismo

(Rhayana Gonçalves)


A Al-Qaeda ("a base", em árabe) foi criada por volta de 1989 por Osama Bin Laden. Quando criada, a Al-Qaeda tinha como objetivo organizar e treinar combatentes de origem saudita para o combate às tropas soviéticas estacionadas no território do Afeganistão, em aliança com o Talibã, principal grupo "mujaidin" operando no revolta afegã. Este núcleo de combatentes tinha como motivação ensinamentos islâmicos fundamentalistas, justificando as ações militares como parte da "jihad" contra infiéis ocidentais, e era financiado por recursos oriundos da Arábia Saudita e dos Estados Unidos, viabilizando tanto a compra de armas como o treinamento.

Após a saída das tropas soviéticas do Afeganistão, este núcleo de combatentes reorientou seu foco para combater a presença norte-americana no Oriente Médio, alegando que conduziam uma política de opressão aos muçulmanos.

Mesmo sem uma estimativa concreta sobre o total de seus efetivos e recursos, o grupo começa a marcar presença em ações terroristas na Somália, Yêmen, Kenya ou Bósnia, culminando com o atentado ao World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001, atentado que a tornou mundialmente conhecida. Todos os 19 terroristas que sequestraram 4 aviões comerciais nos Estados Unidos e os lançaram contra alvos americanos eram sauditas e pertenciam ao grupo.

O atentado gerou uma intervenção militar americana em solo afegão, na tentativa de desbaratar os grupos terroristas islâmicos, bem como seus campos de treinamento. Desde então, os militantes desta organização tem estabelecido de maneira sempre clandestina novos bases de treinamento em muitos países, tais como Argélia, Líbia ou Cade, além de núcleos operacionais em países europeus que apóiam as intervenções militares americanas.

Mesmo diante da grande repercussão na mídia, é importante lembrar que ainda existem muitos questionamentos sobre a Al-Qaeda, sobre a sua real relevância e até mesmo sobre a sua existência como instituição formal. Como o próprio Bin Laden declarou em entrevista à emissora Al-Jazeera, a "formalização" do grupo foi feita pelo governo americano, com o objetivo de enquadrar a rede de combatentes como "organização criminosa", legitimando juridicamente as ações militares e a prisão de suspeitos subsequentes, ações que viriam a ser conhecidas como "Guerra ao Terror".

Quanto ao célebre líder da organização, Osama Bin Laden, durante anos ele foi procurado pelas tropas americanas, sem que se encontrasse qualquer indício concreto de seu paradeiro, fazendo com que a campanha de captura permanecesse insolúvel aos olhos da opinião pública. Nesse contexto, em maio de 2011, o presidente Obama declara que Bin Laden havia sido morto numa ação secreta de um comando especial do exército americano.

Recentemente, o célebre jornalista americano Seymour Hersh, através de artigo publicado no "London Review of Books", levanta muitos questionamentos sobre a autenticidade desta versão do governo americano, especialmente sobre a falta de envolvimento direto do governo paquistanês, e também sobre a própria existência de tal operação comando.

http://www.lrb.co.uk/v37/n10/seymour-m-hersh/the-killing-of-osama-bin-laden

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O casamento no Oriente Médio islâmico

(Bruna Freitas)

Algumas sociedades de maioria muçulmana, especialmente no caso da Arábia Saudita, conhecem muitas privações de direitos para as mulheres, restrições que vão desde a obrigação do uso do véu ao sair de casa até restrições de viagem, trabalho em determinadas ocupações e até estudo. Nesse universo, o casamento não poderia deixar de ser regulado pela família.

No Islã, seguindo preceitos de inspiração corânica, a grande maioria dos casamentos acaba acontecendo a partir de um contrato entre as famílias e os noivos, chamado de “contrato de matrimônio”, que estipula direitos e responsabilidades dos noivos, aí incluído o dote devido para a família da noiva, e é concretizado somente mediante a presença de duas testemunhas muçulmanas. O divórcio é permitido, e pode ser iniciado por qualquer das partes, mas se partir da iniciativa da mulher, isso implica na perda de quaisquer direitos. No Islã, o casamento não é obrigatório e muçulmanos e muçulmanas têm o direito de viver uma vida de solteiro, se assim desejarem. Entretanto, uma vez exista um compromisso de casamento assumido pelos pais dos noivos, existe uma grande pressão social para que o compromisso seja honrado pelos filhos.

Na Arábia antiga, chegaram a ser reconhecidas certas modalidades exóticas de casamento, hoje não mais aceitas, tais como o casamento por captura, o casamento por compra, o casamento por herança ou o casamento temporário. Tais formas de casamento eram aceitas uma vez que as mulheres de então não podiam tomar decisões com base em suas próprias vontades, e eram tratadas como posse de seus maridos, sendo sempre submissas.

Segundo as tradições islâmicas, ainda é um requisito fundamental para o casamento tanto a anuência do pai da noiva como a castidade, pois nenhum “fornicador” teria o direito de se casar com um parceiro casto, exceto se os dois se purificarem deste pecado pelo arrependimento sincero. Além disso, as mulheres só podem se casar com um muçulmano.

De acordo com o Islã, ambos os homens e mulheres têm direitos sobre o outro quando eles entram em um contrato de casamento. O marido é financeiramente responsável pelo bem-estar e manutenção de sua esposa ou esposas e aos filhos, proporcionando uma casa, comida e roupas. Em contrapartida, é dever da esposa cuidar dos bens do marido e do matrimônio. Se a mulher tiver riquezas próprias, ela não é obrigada a gastar com o marido ou filhos.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Muito além de um Hidjab

(Rhayana Gonçalves)

Você já deve ter percebido que poucos países do Oriente Médio participam do Miss Universo (concurso feito anualmente e é a maior competição de beleza realizada no mundo). Isso se deve ao fato de que para algumas religiões (como o Islã), as mulheres não podem usar qualquer tipo de roupa e possuem diversas restrições.

Porém, uma âncora de TV chamada Eka Shanti, depois de ter se recusado a tirar o véu durante uma transmissão criou o concurso chamado “Miss Mundo Mulçumana" (Miss Muslimah World), criado em 2011 é um concurso voltado não só para a beleza física, mas também para os valores religiosos.

No referido concurso islâmico de beleza, mais de 18 países participam, entre eles a Alemanha, Bangladesh, Egito, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Irão, Nigéria, Palestina e outros.


Para Eka, o concurso é a resposta aos concursos de miss. Em entrevista a AFP, disse que "Há papéis alternativos para mulheres muçulmanas". A competição é patrocinada por uma marca de maquiagem feita especificamente para mulheres muçulmanas. Os requisitos principais na competição são vestimenta e o conhecimento religioso, especificamente a compreensão do Alcorão.


(Obabiyi Aishah Ajibola, vencedora de 2012 disse que 
"Nós só estamos mostrando ao mundo que e o Islã 
também é bonito" e completou, "Somos livres, 
e portar o véu é nosso orgulho". Fonte: Reuters)


Mulheres no concurso "Miss Muçulmana" em 2013 usando Hidjab.
( Foto de Ulet Ifansasti).


É importante lembrar que as participantes do concurso são muçulmanas e vestem o Hidjab, o véu característico das mulheres árabes, que cobre a cabeça e o corpo, mas deixa as mãos e rosto de fora. Para muitas mulheres é a prova mais verdadeira da sua condição de muçulmanas.

Existe muita confusão para nós, ocidentais, quanto às roupas das mulheres do Oriente Médio. É importante lembrar que o Hidjab não é o único tipo de vestimenta do Oriente islâmico. Talvez a mais famosa seja a Burca, que é um manto que cobre dos pés a cabeça, inclusive as mãos e os olhos. A sua única abertura é uma espécie de rede de malha que permite que quem a veste tenha uma visão limitada. Feita de material barato, e apesar de ter cores variadas, as mais usadas são as de cor preta e azul celeste, sendo muito disseminada no Afeganistão e Paquistão.

A burca acabou muito disseminada durante o governo ultraconservador Talibã, quando as mulheres afegãs eram forçadas a vestir a burca quando estivessem em público. Porém, o Islã não obriga formalmente o uso dessa vestimenta e de nenhuma outra que cubra o rosto, além da burca ter sido originada na tradição beduína, na península árabe. 


(Burca Azul Celeste- Fonte: Desconhecida)


(Mulheres de Niqab na Austrália – AFP)

Outros véus islâmicos mais conhecidos e que também causam confusão é o Niqab, muito parecido com a burca mas que diferentemente não cobrem os olhos.  E também, o Xador (ou Chador) que é parecido com o Hidjab, mais conhecido no Irã, cobre o corpo inteiro mas o rosto fica exposto.

(Chador, não cobre o rosto apesar do corpo inteiro ser escondido. 
Fonte: Tvaraj)


As mulheres aceitam pois é o que as tradições islâmicas pedem, o que Deus ordenou e é uma honra. As mais conservadoras acham indigno e imoral muçulmanas que não aceitam suas vestimentas.

Jornalismo no Oriente Médio: entre dificuldades e histórias de sucesso

(Maria Maria Queiroz)

O trabalho jornalístico no Oriente Médio é um desafio. Censuras, ameaças e opressões, conflito de ideais estão entre os principais males. Recentemente, alguns fatos marcantes têm ilustrado tal situação, como, por exemplo, a execução de jornalistas em exercício da profissão por grupos extremistas. É o caso de James Foley e de Steven Sotloff, ambos decapitados por militantes do “Estado Islâmico” (IE).

Sobre isso, o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) publicou um relatório no qual a profissão do jornalista aparece como uma das mais perigosas para se exercer no Oriente Médio. Um dado relevante é o de a metade das mortes em atuação ser na região. A Síria, por exemplo, apresenta-se como o país mais fatal do mundo para jornalistas pelo terceiro ano consecutivo.

No entanto, em meio a esse cenário, alguns canais resistem em meio aos desafios, como a emissoras de TV que aparecem como alternativa em defesa da liberdade de expressão, sem que haja restrição de conteúdos a temas religiosos e discursos governamentais, como é o caso da rede de televisão Al Jazeera.

A Al Jazeera foi criada em 1996 pelo emir (que corresponde a um tipo de “comandante”) Hamad bin Khalifa Al Thani, no Catar. O objetivo era o de transformar o pequeno país em grande centro cultural da região. Tornou-se, em pouco tempo, uma das redes de televisão mais poderosas do mundo, sendo fenômeno de audiência no Oriente Médio.

A emissora ganhou projeção mundial com a cobertura das guerras, como a do Afeganistão, Iraque e a invasão do Kuwait, pois além de deter uma estrutura de ponta, a rede conta com o bônus de ter a linguagem e a proximidade com os acontecimentos do mundo árabe. Estando inserida nesse contexto, conseguia, por muitas vezes, cobrir os fatos em primeira mão. Exemplo disso foi a transmissão de discursos do Osama Bin Laden. Além disso, incorporou ao seu conteúdo um viés mais isento em relação às demais coberturas, o que aumentou sua credibilidade e somou fãs no mundo inteiro.

Por outro lado, o caráter militante junto a forte liberdade de expressão não somou apenas fãs à rede televisiva. Tais características alastradas ao acesso direto e proximidade dos fatos, linguagem e pessoas e, por fim, aos benefícios que isto acarreta à produção de conteúdo em relação as demais emissoras, proporcionou à Al Jazeera algumas “inimizades”. Uma delas é o regime islâmico radical, que por sua vez, não toma nenhuma atitude drástica por saber que a briga com uma rede tão popular apenas aumentaria a impopularidade do próprio. Outras são as emissoras televisivas ao redor do mundo, como por exemplo a CNN, que foi “furada” pela Al Jazeera nas coberturas dos conflitos da região.

No entanto, as histórias de sucesso do jornalismo no Oriente Médio não se resumem a Al Jazeera. No jornalismo impresso, um grande destaque é o Khaleej Times, de Dubai, que é o jornal mais lido do Oriente Médio. Logo atrás dele vem o Alayam, de Manana – Barein, que além de estar em segundo lugar nos mais lidos da região, foi colocado na posição 40 na lista dos jornais de versão online mais vistos em 2010 na região que se refere ao Oriente Médio e Norte da África.

O "Grande Jogo" de novo: batalha pela Àsia Central


Der Spiegel - Central Asia Special : "The New Great Game"

(agosto de 2010)





The Pamir, Hindu Kush and Tian Shan mountain ranges and the Syr Darya and Amu Darya rivers border a region in which two world religions, Islam and Christianity, collided, astronomy blossomed and eminent doctors taught. Central Asia is one of the eternal hot spots in world history, a place where Darius I and Alexander the Great, Genghis Khan and Tamerlane left their marks. The British and Russian colonial powers followed suit when they embarked on the "Great Game," a bitter struggle over natural resources and strategic bases.

The Great Game was adjourned at the beginning of the 20th century. But after 1920 an even more brutal dictator, Josef Stalin, put his stamp on the region when he redrew the borders of Central Asia. Stalin created five Soviet republics, carving up traditional trading zones, and settled areas in the process. His goal was to weaken and sow discord among the region's Muslim ethnic groups and thus make them less of a threat to Moscow. The seeds of ethnic strife had been sown. They began to sprout when the vast Soviet realm was dissolved and its republics became independent nations, separated by unnatural borders. Former US National Security Advisor Zbigniew Brzezinski once referred to Central Asia, a hotbed of conflict and, in Brzezinski's view, one of the most strategically important parts of the world, as the "Eurasian Balkans."

Today the major powers' interests in the region range from military bases for waging the war against the Taliban to oil and gas pipelines and drug prevention. One of the most important heroin smuggling routes passes through a part of Central Asia controlled by Islamists.

For these reasons, the world is now witnessing a new version of the Great Game, this time involving both the former players, Russia and Great Britain, and new players, the United States, China and Iran. None of the countries within their field of vision is stable, eccentric dictators are in control almost everywhere, corruption is rampant and many nations are at odds with their neighbors. After several coups and ethnic unrest, Kyrgyzstan is leaderless. Kazakhstan, rich in natural resources, feels pressured by China. Islamists in Tajikistan have renewed their fight against the regime, and in Uzbekistan, a major cotton exporter, the opposition is brutally persecuted.

In a new series, SPIEGEL describes the worrisome situation in Central Asia, a region where American historian Kenneth Weisbrode fears "a massive storm could be brewing."

The first installment on Kyrgyzstan, where elections will be held on Saturday, posted this week. A dispatch from Kazahkstan will follow next week, along with reports on Tajikstan, Turkmenistan and Uzbekistan in the coming days.

A completely lawless place: Kyrgyzstan has become an ungovernable country

(By Erich Follath and Christian Neef in Osh, Kyrgyzstan)

In the wake of ethnic violence in June that killed almost 2,000 people, Kyrgyzstan has been plagued by violence and lawlessness. Now the country is to become the first parliamentary republic in Central Asia. But is it ready for democracy ?

The sun is high in the sky, directly above the Taht-I-Suleiman, a giant rock in the middle of the city where the Biblical King Solomon was once said to have preached. In fact, the sun is so unrelentingly bright that the snow-covered peaks of the Tian Shan have disappeared behind a curtain of flickering heat. Somewhere in the city a muezzin is calling the faithful to prayer.

On the surface, Osh seems almost idyllic. But that impression is misleading. On this morning, four girls were found dead in the cellar of a mosque in Osh, covered with debris. Their bodies, wrapped in carpets, had been completely burned and some had even been beheaded. They were Kyrgyz girls from Osh. Soon afterwards, 13 bodies, including that of a pediatrician, were brought to Osh from Andijan, a city in nearby Uzbekistan. The bodies, their hands bound and, like the four girls, horribly disfigured, had floated down the Ak-Bura River and across the border into Uzbekistan. The 13 dead were also Kyrgyz from Osh.

For the men and women gathered in the tent cities near the large white regional administration building, the case is clear. "The murderers were Uzbeks," says Gumira Alykulova, a 35-year-old Kyrgyz. Uzbeks, though an ethnic minority in Kyrgyzstan, form the majority in Osh. They own most of the city's markets, restaurants and much of the surrounding farmland and, as angry citizens believe, they are determined to drive the Kyrgyz out of the city.

A Wave of Pogroms

Since the bloody four days of violence in June, the small tent city has been one of the main sources of news in Osh -- from the Kyrgyz perspective, that is. Anyone wishing to hear the other side's version of the truth has to drive two kilometers farther down the road to an Uzbek neighborhood like Shark.

Shark looks like it has recently been carpet-bombed. The district was completely burned down, with nothing but blackened foundation walls remaining where many buildings, including the schools, once stood. The Uzbeks in Shark blame the Kyrgyz.

According to official figures, more than 370 people died in the pogroms, when the Kyrgyz went on a rampage against the Uzbeks and the Uzbeks against the Kyrgyz. But the true figure is probably upwards of 2,000. More than 75,000 people fled to Uzbekistan. The news coming out of the city shocked people around the world.
What happened in Osh? Why are no officials, including the mayor, the provincial administrator, the chief of police and the head of intelligence, willing to say how the killing began? Why are the newspapers avoiding the issue ?

The silence that has descended on Osh after the so-called incidents has instilled fear in the residents of a city that was cosmopolitan for centuries, a peaceful trading center and a crossroads on the legendary Silk Road.

Osh is 3,000 years old, even older than Rome. Caravans from China once passed through the city, and even Alexander the Great is believed to have stopped at the Taht-I-Suleiman en route to India.

A Lawless City

But since June this city of 250,000 has been only a shadow of its former self. The four days of violence left behind a broad trail of destruction. Major thoroughfares like Kyrgyzstan Street are devastated, with all of the businesses on the right side of the street, as well as cafés, restaurants and a Muslim hospital, burned to the ground. The left side, where the Kyrgyz live, remained unharmed.
This is one version of the events: Uzbeks attacked a student dormitory at the University of Osh and raped female Kyrgyz students. This prompted the Kyrgyz to retaliate.

According to another version, the rapes never occurred and the riots were deliberately provoked.

Osh is now a lawless city. At night, men wearing camouflage uniforms without shoulder insignia rule the pitch-black streets, during hours of revenge and violence. Some 3,000 ethnic Uzbeks have reportedly been arrested, while others have been abducted or simply disappeared. All Uzbeks in government positions were let go.

What is happening in Osh is not some provincial drama. Osh has become a warning sign -- for an entire country and perhaps even an entire region.

The pogroms were a consequence of the most recent change of power in the capital Bishkek. After bloody protests in April, the corrupt president, Kurmanbek Bakiyev, was ousted and forced to flee the country. The government that replaced Bakiyev also no longer exists. Transitional President Rosa Otunbayeva, a former foreign minister and then a member of the opposition, rules the country with decrees. She intends to hold parliamentary elections on Oct. 10, but protestors have already returned to the streets in Bishkek, the police are back to using teargas, and opposition members are being arrested once again.

A Decline of Historic Proportions

Kyrgyzstan, a mountainous Muslim republic with a population of only 5.3 million, has become ungovernable. This would be a footnote in world history if this country, where the towns have names like Toru-Aigyr and Kurkurëu and the people are called Momun and Oroskul, were not at the center of a region that has alarmed the world's powerful.

The country's decline is one of historic proportions. In the early Middle Ages, the Kyrgyz were the largest power in Central Asia. But then came the invasions led by Genghis Khan, followed by the Chinese and, in 1876, the Russians. Stalin drew the borders of the later Soviet republic straight through areas settled by Kyrgyz and Uzbeks. Kyrgyzstan is a poor country today. It exports gold and uranium, but the average monthly income is only €60 ($82). A country without leadership is an ideal haven for extremists and criminals. Fundamentalists fighting the government in neighboring Tajikistan are in the country, as are Uighur activists from China's troubled Xinjiang Province. Drug traffickers use Kyrgyzstan as an important transport route, which passes from Afghanistan straight through Osh. For the world's major powers, Kyrgyzstan is a dangerous weak link in the region.

But the foreign powers also need this small country. China hopes to use Kyrgyzstan to satisfy its demand for natural resources. Moscow needs the region as a buffer zone against the advances of fundamentalist Islam, and the United States uses it as the site of a resupply base for its war against al-Qaida and the Taliban. Chaos and anarchy in Kyrgyzstan are the last thing the Americans, Russians and Chinese need. Ironically, the Western press only recently referred to this country as "the Switzerland of Central Asia."

Appeasing the Uzbek dictator: who's afraid of the ruler of the Silk Road ?

(By Erich Follath and Christian Neef)

Uzbekistan is both a nation of terror led by brutal dictator Islam Karimov and a partner of the West that is an important staging ground for NATO's war in Afghanistan. Its story is best told through the eyes of two men -- the flamboyant former British ambassador and the current top German diplomat in the country.

Some cities are tedium set in stone, joyless places where people don't live but merely survive.

And then there are the cities whose names alone are the stuff of legend. They are places of stunning geography, impressive history and breathtaking architecture. Three of these cities are Samarkand, Bukhara and Khiva, located on the legendary Silk Road in Uzbekistan in Central Asia, lined up like a string of pearls, each rising up from the shimmering heat of the surrounding deserts like mirages. These are magical places. Their turquoise domes, madrassas decorated with mosaics and ornate caravanserai roadside inns are not only evidence of the skill of those who built them, but also of the ambitions of the ethnic groups that proudly left their mark on the region in past centuries: Persians, Greeks, Mongols and Turks. In the 19th century, the British and the Russians competed over strategic bases and mineral resources in the region, in what was known as the "Great Game." After 1920, Soviet dictator Joseph Stalin drew the arbitrary borders that would later outline the Central Asian nations. Today, the region's conflicts are crystallizing once again.
Uzbekistan is the most populous and probably most important of the new Central Asian countries that emerged from the former Soviet Union. Islam Karimov, the Communist Party's first secretary in Uzbekistan prior to the collapse of the Soviet Union, easily transitioned into his new role as president, brutally eliminating all opposition and placing members of his family into positions of power. Today Karimov has his eye on billions in future business. Uzbekistan is the world's sixth-largest cotton producer and has massive reserves of natural gas as well as gold and uranium deposits. It is potentially a wealthy country.

A Supply Base for Afghan War

For the world's major powers, there is much more at stake. Military bases, for one thing. Uzbekistan borders on Afghanistan and serves as a supply base for the war against the Taliban. The Germans have their largest and most important supply base in the southern Uzbek city of Termez. They are also interested in building oil and gas pipelines from Uzbekistan that could help satisfy Western Europe's energy needs. Finally, drug prevention is an important issue for the major powers. Some of the world's most important heroin trafficking routes pass through the region and are controlled by Islamists, who threaten to deploy their fighters to commit acts of terror well beyond the borders of these countries.

This explains why we are now experiencing a revival of the Great Game. Only this time a few other powerful players have joined in: the United States, China, Iran, India and Germany.
Once again, they are competing for influence in the region. And, as in the past, foreign envoys play a central role. Just like in the old days, they have a presence on the ground and send reports back home.

A Briton from Norfolk, who is extroverted, narcissistic and combative, and a German from the town of Hüls in western Germany, who is introverted, reliable and accommodating, managed to land their dream jobs. They were named the ambassadors of their respective countries in the Uzbek capital, Tashkent.

But how should they handle an authoritarian country that is so important for the West? Should they flatter the dictator to wrest concessions from him? That would be in the interests of European politicians and military officials -- and perhaps also in the interests of the Uzbek civil rights activists behind bars, who wouldn't stand a chance without a gentle, behind-the-scenes slap on the wrist. Or should they confront the dictator with his misdeeds, sharply criticize his human rights violations and expose the regime, and thus risk a breakdown in relations and the loss of all influence? And how much scope do the ambassadors, who are largely expected to follow their governments' instructions, actually have to make their own decisions on such matters?

With their different approaches and diametrically opposed characters, the only thing these two men have in common is their sincere commitment to a difficult host country. British Ambassador Craig Murray, 51, and German Ambassador Wolfgang Neuen, 63, are ambassadors of a somewhat different stripe. This is their story.

An Upstart and an Outsider

It is the summer of 2002, and the new British envoy has only been in Tashkent for a few weeks. He finally has time to catch his breath, after surviving the obligatory appointment at Buckingham Palace. Craig Murray has every reason to be proud. Following diplomat posts in Poland, Russia and Africa, he is now the youngest ambassador working for the British government. He is only 43, and already he is an ambassador in an important, embattled country.

Nevertheless, Murray still feels like an outsider in the club of private school and Oxford and Cambridge graduates in Whitehall. He doesn't get their jokes and he despises their arrogant demeanor. Murray, on the other hand, is from a working-class family and attended Dundee University, not one of Britain's more prestigious higher education institutions. He believes that everyone in Britain's class-conscious society can immediately recognize him as an upstart and an outsider. Perhaps this is the source of Murray's rebellious streak and his pronounced sense of justice. Fighting is his life's motto. And so is not taking no for an answer. Uzbek's national holiday is an obligatory engagement for diplomats in the country. The protocol in Tashkent requires the ambassadors to arrive hours before the ceremony, forcing the diplomatic corps to endure the 40 degree Celsius (104 degree Fahrenheit) heat without complaint. But not Murray. He issues a written statement informing the Uzbek government that in the future he will not arrive until shortly before the ceremony. The defiant letter gets him the recognition of his fellow diplomats, who would never have dared to take such a step. But it alienates the Karimov administration.

Unlike his predecessors and most of his fellow diplomats, who tend to focus on the capital, Murray insists on traveling around the country, to beautiful places like Samarkand, for example. But Murray also travels to places where there are no paved roads or acceptable hotels, such as a remote corner of the Fergana Valley, an area strongly influenced by fundamentalists, and to what is left of the polluted Aral Sea, where residents live under wretched conditions.






quarta-feira, 1 de abril de 2015

Mulheres brasileiras viajam sozinhas pelo Oriente Médio

(Roberta Nolasco)

O Oriente Médio não se resume apenas a conflitos e intolerância religiosa. A Região possui um enorme legado de civilizações antigas e uma cultura inigualável, além de ser famoso pelas maravilhas naturais e arquitetônicas que abriga.

No ano passado o turismo na região aumentou em comparação com o ano de 2013, de acordo com publicação da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas (UNWTO). Os países que tiveram maior aumento no número de turistas foram Egito, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita, segundo a UNWTO.

A estudante de arquitetura Catarina Simões realizou um intercâmbio social no Egito entre os meses de novembro a janeiro desse ano, no qual dava aulas de inglês a crianças de baixa renda no Cairo. Ela contou que assim que surgiu a oportunidade de fazer o intercâmbio, o Egito foi o primeiro lugar que pensou em ir, mesmo com uma posição muito diferente da mulher na sociedade.

Segundo Catarina, “a primeira coisa que chamou minha atenção lá, foi a maneira como uma mulher chama atenção na rua. Se você está caminhando desacompanhada chama muita atenção, a ponto de todas as pessoas na rua olharem para você. Isso foi uma coisa que eu só tinha ouvido falar mas não sabia o quão desconfortável poderia ser”.

A jornalista Renata Garcia passou seis meses viajando pelo Oriente Médio e conheceu os países da Jordânia, Israel, Dubai e Irã. Atualmente está morando há um mês na Arábia Saudita. “Gostei tanto da região que precisei voltar. Tudo é incrivelmente diferente aqui”.

Renata contou que foi muito bem recebida na Arábia Saudita. “Eles adoram brasileiros. Pedem prá tirar foto, tentam conversar. A maioria das coisas que ouvi quando falavam que eu era brasileira era: oh! Ronaldinho! Ou 7x1! E escutei bastante coisas do tipo: sempre quis ir no Brasil ou adoro o Brasil”.

De acordo com a Amadeus, empresa líder no setor global de viagens e turismo, o Oriente Médio deve receber 136 milhões de turistas em 2020, número bem maior que o de 2008 (54 milhões de turistas). A região possui um dos mercados hoteleiros que mais cresce no mundo, focado no segmento de luxo.

A recém formada em jornalismo, Marina Mansur morou no Egito durante um ano. Durante sua estadia, ela foi confundida com uma prostituta porque estava fora de casa durante a noite com alguns amigos. O fato aconteceu na cidade de El Asher (conhecida em inglês como Tenth of Ramadan), na região metropolitana do Cairo. “Nada de mau aconteceu, como eu estava acompanhada de amigos egípcios, eles resolveram esse mal entendido”, disse Marina.

Ela aconselhou as mulheres que pretendem viajar sozinhas pelo país a possuir algum conhecido que more por lá. “Se alguma mulher quer viajar para o Egito eu diria a ela para ir ao Egito. Mas que conheça pelo menos alguém que more lá, por que não falar árabe às veze pode ser um problema e tome cuidado com o que vestir”, disse Marina.

A estudante de medicina Paola Moreira decidiu participar de um projeto voluntário na Índia, onde ensinou inglês e multiculturalismo em duas escolas. Ela morou durante dois meses em Ahmedabad e contou que apesar da cidade ser predominantemente hinduísta, o crescimento do islamismo pode ser observado.

Segundo Paola, é difícil para uma mulher viajar pela Índia desacompanhada. “Eu tentei lidar da melhor maneira possível, preferia pensar que era algo diferente da minha realidade e como estava lá para fazer um intercâmbio e não como uma turista passando um fim de semana, teria que lidar com isso. Fazia parte da experiência”.

terça-feira, 31 de março de 2015

Pisando em terra sagrada: como o turismo religioso ajuda a mover o Oriente Médio

(Isabela Lemos)


   Pensar em Oriente Médio muitas vezes é pensar em petróleo e conflitos, mas há muito além na região. O local tem atraído os olhares do resto do mundo com suas paisagens exóticas e com isso, gerou 47 bilhões de dólares em receita com o turismo em 2013, segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT). A possibilidade de transitar entre diversos séculos, tipos diferentes de etnias e tradições encanta e atraí milhares de pessoas todos os anos transformando o turismo em uma forma dos países tornarem-se menos dependentes do petróleo.

   Israel é uma das principais escolhas dos estrangeiros, já que sua capital, Jerusalém, é a cidade santa para três religiões monoteístas do mundo: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Jerusalém atrai diversos tipos de turistas, mas um muito específico: o turista movido pela fé. Esse segmento   movimenta no mundo todo cerca de 2 trilhões de dólares, movimentando mais de 300 milhões de pessoas.

   O recorde do turismo religioso vem precisamente de Israel que, em 2013, recebeu sozinho 3,5 milhões de visitantes, como informa o site Ynetnews.com. A maioria desses visitantes vem dos Estados Unidos (18%). Os cristãos totalizam 53% (sendo a metade católica) e os judeus 28%. A peregrinação é tida como a motivação principal para um em cada quatro visitantes, ou seja, cerca de 770 mil pessoas.

   Essas milhares de pessoas são motivadas pelo desejo de ver, tocar e andar por onde os profetas e santos andaram, como Moisés e Cristo. No caso dos cristãos, os locais mais visitados são a Via Dolorosa (ou Via Crúcis), onde deu seus últimos passos até a crucificação no Monte das Oliveiras, lugar que abrigou a primeira comunidade cristã da história e onde Judas traiu Cristo. Ambos os locais são sagrados para as religiões.

   O governo de Israel tem investido no turismo e o site oficial no Brasil conecta o internauta a opções católicas e evangélicas de conhecer a Terra Santa, além de oferecer pacotes e dicas de viagem. As ações do governo começaram em 2007 com a campanha “You’ll love Israel from the first Shalom”. A campanha funcionou nos EUA com o objetivo de mostrar as belezas do país e atrair mais visitantes.

     Entre outros importantes atrativos de visitação em Israel e Oriente Médio também estão a Esplanada das Mesquitas (Israel), o Muro das Lamentações (Israel), Mesquita de Ahamd Ibn Tulun (Egito), Betânia do Além Jordão (Jordânia).


Quem quer ser um milionário ?

(Eduardo Pacheco)

     De uns anos pra cá, um polêmico fenômeno tem marcado o futebol mundial, especialmente europeu. Personalidades e instituições bilionárias têm feito investimentos gigantescos nos mais diversos clubes, principalmente naqueles que são populares e que se encontram em dificuldades financeiras. Magnatas russos, como Roman Abramovich, atual dono do Chelsea, da Inglaterra, e um dos pioneiros no assunto, mas também grupos ucranianos, malaios, árabes e até paquistaneses têm sido protagonistas dessa tendência.

     Entre tantos investidores, o maior volume de dinheiro investido no futebol europeu é proveniente das economias petroleiras do Oriente Médio. Khaldoon Al Mubarak e Nasser Al-Khelaïfi são os dois principais exemplos de investidores árabes. O primeiro, nascido nos Emirados Árabes e cuja fortuna é estimada em 25 bilhões de euros, o que o faz o segundo homem mais rico da Europa, atrás apenas do ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, comprou em 2008 o Manchester City, da Inglaterra. Já o segundo, nascido no Qatar, tornou-se presidente do Paris Saint-Germain, da França, em 2011, após a Autoridade de Investimento do Qatar (QIA), um fundo soberano do país árabe ter comprado 70% da equipe parisiense, com o objetivo de diversificar os ativos do governo do país em setores não energéticos. A operação permitiu que craques de calibre mundial, como Cavani, Ibrahimovic, David Luiz, Thiago Silva e Lucas, fossem comprados pelo PSG, que gastou cerca de R$ 1,5 bilhão, em apenas quatro anos.

PSG e Manchester City ocupam as posições de 5º e 6º clubes mais ricos do mundo com ativos estimados em 474 e 414 milhões de euros, respectivamente. À frente das duas equipes encontram-se somente os gigantescos Real Madrid, Manchester United, Bayern de Munique e Barcelona.

     Desde suas aquisições por bilionários árabes, as duas equipes, que já eram, de certa forma, conhecidas, apesar de poucos títulos, tornaram-se potências nacionais, sendo os maiores campeões nacionais de seus respectivos países nos últimos três anos. No cenário europeu, tanto Manchester City quanto PSG ainda buscam afirmação.

     O incrível potencial financeiro das equipes já rendeu problemas extracampo para seus investidores. Em 2014, ambas as equipes foram enquadradas na regra de fair play financeiro, princípio estabelecido pela FIFA no intuito de limitar o gasto dos times, fixando como teto valores iguais ou inferior à arrecadação, uma espécie de lei de responsabilidade fiscal do futebol. Por conta dos excessivos gastos, City e PSG tiveram que pagar uma multa com valor equivalente a R$ 182 milhões e tiveram um limite de inscrição de jogadores para a Champions League 2014-15 inferior ao costumeiro.

  Além das duas equipes, outras cinco equipes contam com investimento proveniente do Oriente Médio em seu orçamento. As tradicionais equipes inglesas do Arsenal (que teve 29% dos seus direitos comprados em 2007), Leeds United e Nottingham Forest, o 1860 München, da Alemanha, e o Málaga, da Espanha, clube que também foi punido por falta de fair play financeiro, fecham a lista.


     O impressionante montante de recursos canalizados para os clubes, principalmente no caso do PSG, no qual uma instituição pública é a principal investidora, abre margem para longos debates. Seria o investimento desproporcional uma solução para clubes endividados e uma forma de montar equipes com muitos craques juntos ou seria ele um malefício ao esporte, afastando-o cada vez mais de sua maior característica, a paixão ?